Artigo
Quando o reconhecimento chega, para quem os olhos se voltam?

Pedro e João olharam bem para ele e, então, Pedro disse: “Olhe para nós!” (Atos 3:4).
Mais adiante, depois que o homem foi curado, todo o povo correu admirado até Pedro e João. Então Pedro lhes perguntou: “Por que vocês estão olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar por nosso próprio poder ou piedade?” (Atos 3:11-12).
Essa história sempre me faz refletir.
Em um momento, Pedro e João pedem que o homem olhe para eles. Em outro, quando todos estão admirados e com os olhos voltados para eles, Pedro pergunta: “Por que vocês estão olhando para nós?”
Há uma lição profunda aqui para a nossa vida profissional.
As pequenas oportunidades também importam
Pedro e João não ignoraram a necessidade daquele homem. Eles pararam, olharam com atenção e agiram. Não havia palco, aplausos ou grande visibilidade. Havia apenas uma pessoa necessitada diante deles.
No ambiente corporativo, também somos chamados a perceber pessoas e necessidades que talvez ninguém mais veja: um colega sobrecarregado, alguém novo na equipe, uma dificuldade que todos evitam resolver ou uma oportunidade de servir sem receber crédito.
É fácil se dedicar apenas ao que dá visibilidade. É fácil trabalhar com entusiasmo quando haverá reconhecimento, promoção ou elogio. Mas a excelência do Reino também se revela naquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
Quando os resultados nos colocam em evidência
Todos desejamos ser reconhecidos pelo bom trabalho. Não há problema em celebrar uma meta atingida, um projeto bem executado ou uma promoção conquistada com esforço e competência.
O perigo começa quando o reconhecimento se torna o centro.
Pedro e João entenderam que a admiração das pessoas não poderia terminar neles. Assim que perceberam que a atenção estava sendo direcionada ao lugar errado, Pedro apontou para Jesus.
Da mesma forma, quando recebemos elogios, alcançamos resultados ou nos tornamos referência em nossa área, precisamos lembrar de onde vêm a capacidade, as oportunidades, a sabedoria e a força para continuar.
A excelência profissional não deve alimentar orgulho; ela deve se tornar uma oportunidade para demonstrar caráter, humildade e gratidão a Deus.
Trabalhar para a glória de Deus
Em nossa profissão, podemos influenciar pessoas por meio da postura, da ética, da competência e da forma como tratamos os outros. Mas não devemos construir uma imagem de autossuficiência, como se tudo dependesse apenas do nosso talento.
O profissional cristão é chamado a trabalhar com excelência, mas também com consciência de que Deus é a fonte de toda boa dádiva.
Podemos liderar, ensinar, negociar, criar, administrar e resolver problemas. Porém, em cada conquista, precisamos perguntar: para quem os olhos estão se voltando?
Estamos buscando fama e reconhecimento a qualquer custo? Estamos tentando provar que somos extraordinários? Ou estamos usando nossos dons e resultados para refletir o caráter de Cristo?
Olhando continuamente para Jesus
Hebreus 12:2 nos convida a viver “olhando para Jesus, autor e consumador da fé”.
Olhar para Jesus não é um ato ocasional. Não devemos buscá-lo apenas quando enfrentamos uma crise, quando precisamos de uma oportunidade ou quando algo sai do nosso controle. É uma decisão contínua.
No trabalho, isso significa submeter nossas decisões, ambições, relacionamentos e resultados ao Senhor. Significa manter Cristo no centro quando somos reconhecidos e também quando somos esquecidos.
Pedro e João serviram com poder, mas não tomaram para si a glória. Que possamos fazer o mesmo em nossa profissão: trabalhar com excelência, servir com sinceridade e apontar sempre para Aquele que merece toda honra e toda glória.
Pense nisso, reflita e aja de acordo com a Palavra.